Follow by Email

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Aniversários

ANIVERSÁRIO DAS LETRAS DO SEU NOME

ANIVERSARIAR E ALFABETIZAR

Um nome que brilha
Confunde o brilho das estrelas
A meiguice expressa no seu olhar
Porque doura minha vida
Com suas brincadeiras
E descobertas de mundo
Maria Clara Dourado
Parabéns!






Dani, Maria, Patrícia



 Ser avô, pai duas vezes, toneladas de carinho...






O primeiro pedaço com muita honra





domingo, 29 de setembro de 2013

NAS MALHAS DO APEGO: NATUREZA, CULTURA E DESENVOLVIMENTO HUMANO





Fonte:  Cognição, Afetividade e Cultura, Sérgio da Silva Leite (org) Casa do Psicólogo São Paulo, 2002)
(Capítulo de autoria de Vera Silvia Raad Bussab)
Anotações
O apego é um instrumento primário e instintivo (Bowlby, 1969, 1974), demonstrando isso pelo fato do vínculo se formar através de interações lúdicas e afetuosas.
Foram as relações de apego que criaram a base para o desenvolvimento cultural, portanto, é necessário que se tenha um investimento afetuoso positivo nas relações de Educação.
A matriz dessas interações por parte da criança é construída no seu entorno familiar. A partir das vivências cotidianas, a criança torna-se capaz de se relacionar com o mundo, tendo como base as estruturas que lhe forneceram as relações de apego construídas em seu lar.
Heidi Keller nos traz aportes significativos sobre o modo como se formam as escolhas dos sujeitos sociais: ou individualistas ou coletivistas.
Segundo a autora, já na primeira infância é muito importante a calorosidade e a afetividade positiva dos adultos em relação ao bebê para que ele construa laços positivos com o seu entorno.
Entrelaçando essa investigação com o real, abre-se a possibilidade de refletir sobre o comportamento do filho do casal de policiais militares que tinha uma doença congênita que o mataria dentro de poucos anos, segundo diagnósticos médicos.
Somando a isso, o tipo de Vídeo game que a criança assistia que se referia a matadores de aluguel, onde a banalização da vida era constante e pueril.
Não é necessário ter formação psicológica ou psiquiatra para entender que as relações cognitivas, afetuosas e culturais daquela criança o estimularam a desprezar a vida e a odiá-la, não tendo referência positiva de afeto, a não ser a de papel social de justiceiro pelas próprias mãos e é sabido o caso de policiais militares que matam e agridem sem um motivo básico.
Todas essas conjunturas a desesperança, o desamor, o dever do soldado ( A ROTA É FODA (frase do menino escrita em um de seus cadernos escolares) o levaram a tirar a própria vida e a de sua família.
SISTEMA I: Sistema de cuidado primário que inclui alimentação, abrigo e proteção.
 Voltando ao tema em foco, a amamentação dos filhos das famílias que tem extrema pobreza pode ser um dos únicos momentos onde a interação afetiva se constrói. Em Rajput, na India,as  mães  dizem que todas as crianças são iguais e não prestam muita atenção a elas, o que pode explicar alta mortalidade infantil.
SISTEMA II:
Sistema corporal e ato de carregar: em caçadores coletores e em determinadas civilizações, o ato de carregar a criança a protege dos perigos do meio e lhe dá uma base de segurança a mais.
SISTEMA III: Sistema de estimulação
O fato de brincar com o bebê, de lidar com o seu corpo, de fazê-lo ter consciência de suas percepção  corporal o dota de experiências que o farão desenvolver, de modo positivo a contingências emocionais e compartilhamentos afetivos.A criança descobre a eficiência do próprio corpo em relação ao ambiente;
SISTEMA IV: Sistema face a face
A “catação” acústica, definida por Durban (1966), como o meio de promover elos entre os indivíduos como a catação entre os primatas, que se resume entre os contatos das pseudo linguagem entre mães, pais, filhos e filhas como importante procedimento para uma base segura da relação de afetividade positiva,primeiro entre os membros do grupo social inicial que é o familiar, segundo do indivíduo para seus pares, que é o que convive em outra esfera social e terceiro do individuo para o entorno.

Cria-se então uma Matriz de dimensão psicológica:
Self seguro:proteção e segurança: cuidados primários, filiação e parentesco; Self corporal: sistema de contato corporal e consciência do corpo e Self mental: individualização , no sistema face a face;





APRESENTAÇÃO DO TEMA DA PESQUISA 

A  ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA COMO OBJETO DE ESTUDO LIGADO A PSICOLOGIA EVOLUTIVA INFANTIL







O assunto da Cognição, Afetividade e Cultura, do qual tratou um Curso da UNESP de Assis,  provavelmente teve origem no conhecimento do GT da ANPEPP (Associação Nacional de Pesquisa e Pós Graduação em Psicologia).
O autor, organizador, Sérgio Silva Leite, que é da Faculdade da UNICAMP, com um interesse coletado em um Memorial http://www.fe.unicamp.br/alle/memoriais/SergioLeite.pdf, publicou um livro Cultura, Cognição e Afetividade, editado em 2002 pela Casa do Psicólogo, onde ele nos lança bases para o conhecimento superior, da Alfabetização Científica, onde sairemos do círculo das Ideologias e da Metodologia sócio interacionista, de cunho construtivista e veremos a Alfabetização e as relações entre Educador e educando com um viés cientifico ancorado em autores como Maturana, Varella, Morin, Piaget, Bowlby, entre outros autores presentes no Curso e no GT da ANPEPP.
Acredito que a Pesquisa científica  de caráter individual por parte de uma professora primária na área da Educação e da Psicologia, sem o fomento de instituições como CNPQ , FAPESP e CAPES, encontra um terreno árido e sem possibilidades como fazer Poesia.
Poesia e Pesquisa Científica são áreas que matam de fome no caráter individual e que dão pleno reconhecimento em caráter corporativista, se você tiver uma rede de relações certas, ser a pessoa certa no momento certo.
Na Faculdade, tendo uma tarefa do temido Pré Projeto de Pesquisa, e precisando escolher um tema, eu indaguei a uma Professora o que seria aceitável para que eu pudesse lograr êxito.
Ela me ofereceu justamente esse assunto que me despertou interesse nos tempos de agora: Psicologia Evolutiva infantil baseada em Piaget. Resolvi falar das condições de desigualdade da mulher no mercado de trabalho e não fui muito feliz na abordagem, porque aquele era meu primeiro Projeto.
Saindo do campo do Egocentrismo, e me amarrando aos ditames de Slavoi Zizek ( Alguém disse Totalitarismo? Cinco intervenções no (Mau) Uso de uma noção){ Trad. Rogério Bettoni}, a democracia liberal tem suas limitações seus mecanismos não são fortes o suficiente para controlar problemas ecológicos e econômicos (p.03, Ilustríssima, Folha de São Paulo).
Vejo de outra forma o meu problema de Pesquisa: se dermos igualdades de condições a mulheres e homens, a sociedade saberá lidar com isso?
No campo que lhe é próprio, o da exploração de seu próprio corpo, como moeda de troca, a facilitação da abordagem masculina ou a oferta explícita das mulheres alterou em muito o campo da sexualidade e da sensualidade: acabou-se o mistério, o prazer da conquista e os homens (alguns)  estão interessados em outros homens.
Se vencermos mais essa barreira, a estrutura estatal sobre nossas mentes e corpos, alterará seu curso. Um exemplo disso o de não saber fazer uso da liberdade, foi a violência de vândalos nas manifestações populares, destruindo  patrimônio público.

Mas voltando ao que interessa, entrando na Direita como condicionante e como necessidade, aceito com interesse o pesquisar a Psicologia Evolutiva da criança na área da Educação e suas vertentes:Medicalização da Sociedade , Metodologias de ensino, Ideologias reflexivas e refletoras. 

sábado, 28 de setembro de 2013

A FAVOR DA EDUCAÇÃO PARA A PAZ




O mal estar social e o confronto de valores, o Estado laico

Com Marx, aprendemos a ideia da mais valia,  do auto adestramento do sujeito contemporâneo que, conformado as regras e ao ideário social, elege como superiores os detentores de maior poder político e econômico, sobrevive apegado às bases da Ideologia e da hegemonia predominantes, tendo a Escola um papel de reprodutora dos ideais dominantes: a exclusão dos diferentes.
Com Foucault, aprendemos as bases punitivas que regem a sociedade atual, escolas, manicômios, hospitais e as demais instituições, presas ao binômio do vigiar e punir.
Com Freud, aprofundamos o viés do mal estar social e com Nietszche aprendemos sobre a morte de Deus.
As representações sociais e morais de professores e professoras se constroem sob esse pano de fundo, ignorantes do próprio poder e subjugados as Ideologias de classe e corpo social, como bem observou Muraro, sob outro aspecto, envolvendo outros sujeitos sociais.
Nessa fumegação  de valores e anti-valores, entre o amor e o ódio, entre esperanças e resignações, constroem o sujeito escolar, o discente;
Já não se pode orar com os alunos, Deus está morto? O Estado é laico, observa um artigo da Constituição:
Um Estado laico defende a liberdade religiosa a todos os seus cidadãos e não permite a interferência de correntes religiosas em matérias sociopolíticas e culturais.
Isso não quer dizer que não podemos dar uma orientação de Educação para a Paz, para os nossos alunos e alunas, que seguem a deriva, sugestionados pelas músicas onde a sensualidade é exaltada, a erotização precoce é instigada, mentes e corpos obedecendo a uma moral de luxúria e devassidão, onde as relações homossexuais e heterossexuais se fazem de qualquer modo  e os meninos e as meninas não tem freio para a sua descoberta.
Multiplicam-se os abortos ilegais e os atos de violência familiar , onde ocorre casos como aquele garoto cujo leite a alimento matinal foi o game Assassin´s Creeds.
Talvez, como alguém que defende uma postura simples, orar a Deus na manhã, pedir por amor e alegria, cause um impacto sobre a mente e os corações de algumas crianças, que estão formando a sua personalidade.
Os outros, já cauterizados pelos seus dilemas familiares onde o consumo e a necessidade no ter e não do ser impera, guarde um silencio desdenhoso ou interfira, fazendo barulho na hora da Oração.
De qualquer modo, uma professora ou um professor não tem o direito de deixar seus alunos sem a ideia da bondade, da misericórdia, da caridade, do amor ao próximo, do respeito mútuo. Como não temos cartilhas de Educação moral, somente a Paz e o Amor de Jesus , Filho de Deus supre essa carência.
Trabalho numa escola onde Papai Noel e o Coelhinho da Páscoa podem existir, mas Jesus Cristo não pode existir?
Uma coisa é entender que a Colonização do Brasil teve uma base cristã, onde disfarçada sobre uma aparência piedosa, a sede de explorar era o verdadeiro significado.
Mas a idéia do bom, do belo e do moralmente correto deve ser ensinado,sem seguir doutrinas e placas de Igreja.
Ensina o menino e menina o correto caminho que se deve andar, para que, crescendo, não se desvie dele.




sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Um poema sobre a Leitura



SALA DE LEITURA










O prazer da leitura - Rubem Alves

Rubem Alves
Gaiolas ou Asas – A arte do voo ou a busca da alegria de aprender
Porto, Edições Asa, 2004

Excertos adaptados


Alfabetizar é ensinar a ler. A palavra alfabetizar vem de "alfabeto". "Alfabeto" é o conjunto das letras de uma língua, colocadas numa certa ordem. É a mesma coisa que "abecedário". A palavra "alfabeto" é formada com as duas primeiras letras do alfabeto grego: "alfa" e "beta". E "abecedário", com a junção das quatro primeiras letras do nosso alfabeto: "a", "b", "c" e "d". Assim sendo, pensei a possibilidade engraçada de que "abecedarizar", palavra inexistente, pudesse ser sinónimo de "alfabetizar"...

"Alfabetizar", palavra aparentemente inocente, contém a teoria de como se aprende a ler. Aprende-se a ler aprendendo-se as letras do alfabeto. Primeiro as letras. Depois, juntando-se as letras, as sílabas. Depois, juntando-se as sílabas, aparecem as palavras...

E assim era. Lembro-me da criançada a repetir em coro, sob a regência da professora: "bê-á-bá; bê-e-bê; bê-i-bi; bê-ó-bó; bê-u-bu"... Estou a olhar para um postal, miniatura de um dos cartazes que antigamente se usavam como tema de redacção: uma menina deitada de bruços sobre um divã, queixo apoiado na mão, tendo à sua frente um livro aberto onde se vê "fa", "fe", "fi", "fo", "fu"...

Se é assim que se ensina a ler, ensinando as letras, imagino que o ensino da música se deveria chamar "dorremizar": aprender o dó, o ré, o mi... Juntam-se as notas e a música aparece! Posso imaginar, então, uma aula de iniciação musical em que os alunos ficassem a repetir as notas, sob a regência da professora, na esperança de que, da repetição das notas, a música aparecesse...

Todo a gente sabe que não é assim que se ensina música. A mãe pega no bebé e embala-o, cantando uma canção. E a criança percebe a canção. O que o bebé ouve é a música, e não cada nota, separadamente! E a evidência da sua compreensão está no facto de que ele se tranquiliza e dorme – mesmo nada sabendo sobre notas!

Eu aprendi a gostar de música clássica muito antes de saber as notas: a minha mãe tocava-as ao piano e elas ficaram gravadas na minha cabeça. Somente depois, já fascinado pela música, fui aprender as notas – porque queria tocar piano. A aprendizagem da música começa como percepção de uma totalidade – e nunca com o conhecimento das partes.

Isto é verdadeiro também sobre aprender a ler. Tudo começa quando a criança fica fascinada com as coisas maravilhosas que moram dentro do livro. Não são as letras, as sílabas e as palavras que fascinam. É a história. A aprendizagem da leitura começa antes da aprendizagem das letras: quando alguém lê e a criança escuta com prazer. A criança volta-se para aqueles sinais misteriosos chamados letras. Deseja decifrá-los, compreendê-los – porque eles são a chave que abre o mundo das delícias que moram no livro! Deseja autonomia: ser capaz de chegar ao prazer do texto sem precisar da mediação da pessoa que o está a ler.

Num primeiro momento, as delícias do texto encontram-se na fala do professor. Usando uma sugestão de Melanie Klein, o professor, no acto de ler para os seus alunos, é o "seio bom", o mediador que liga o aluno ao prazer do texto. Confesso nunca ter tido prazer algum em aulas de gramática ou de análise sintáctica. Não foi nelas que aprendi as delícias da literatura. Mas lembro-me com alegria das aulas de leitura. Na verdade, não eram aulas. Eram concertos. A professora lia, interpretava o texto, e nós ouvíamos, extasiados. Ninguém falava.

Antes de ler Monteiro Lobato, eu ouvi-o. E o bom era que não havia exames sobre aquelas aulas. Era prazer puro. Existe uma incompatibilidade total entre a experiência prazerosa da leitura – experiência vagabunda! – e a experiência de ler a fim de responder a questionários de interpretação e compreensão. Era sempre uma tristeza quando a professora fechava o livro...

Vejo, assim, a cena original: a mãe ou o pai, livro aberto, a ler para o filho... Essa experiência é o aperitivo que ficará para sempre guardado na memória afectiva da criança. Na ausência da mãe ou do pai, a criança olhará para o livro com desejo e inveja. Desejo, porque ela quer experimentar as delícias que estão contidas nas palavras. E inveja, porque ela gostaria de ter o saber do pai e da mãe: eles são aqueles que têm a chave que abre as portas de um mundo maravilhoso!

Roland Barthes faz uso de uma linda metáfora poética para descrever o que ele desejava fazer, como professor:maternagem – continuar a fazer aquilo que a mãe faz. É isso mesmo: na escola, o professor deverá continuar o processo de leitura afectuosa. Ele lê: a criança ouve, extasiada! Seduzida, ela pedirá: Por favor, ensine-me! Eu quero poder entrar no livro por minha própria conta...

Toda a aprendizagem começa com um pedido. Se não houver o pedido, a aprendizagem não acontece. Há aquele velho ditado: É fácil levar a égua até ao meio do ribeirão. O difícil é convencer a égua a beber. Traduzido pela Adélia Prado: Não quero faca nem queijo. Quero é fome. Metáfora para o professor.

Todo o texto é uma partitura musical. As palavras são as notas. Se aquele que lê é um artista, se ele domina a técnica, se ele desliza sobre as palavras, se ele está possuído pelo texto – a beleza acontece. E o texto apossa-se do corpo de quem ouve. Mas se aquele que lê não domina a técnica, se luta com as palavras, se não desliza sobre elas – a leitura não produz prazer: queremos logo que ela acabe.

Assim, quem ensina a ler, isto é, aquele que lê para que os seus alunos tenham prazer no texto, tem de ser um artista. Só deveria ler aquele que está possuído pelo texto que lê. Por isso eu acho que deveria ser estabelecida nas nossas escolas a prática dos "concertos de leitura". Se há concertos de música erudita, jazz – por que não concertos de leitura? Ouvindo, os alunos experimentarão o prazer de ler.

E acontecerá com a leitura o mesmo que acontece com a música: depois de termos sido tocados pela sua beleza, é impossível esquecer. A leitura é uma droga perigosa: vicia... Se os jovens não gostam de ler, a culpa não é só deles. Foram forçados a aprender tantas coisas sobre os textos – gramática, usos da partícula "se", dígrafos, encontros consonantais, análise sintáctica – que não houve tempo para serem iniciados na única coisa que importa: a beleza musical do texto. E a missão do professor?

Acho que as escolas só terão realizado a sua missão se forem capazes de desenvolver nos alunos o prazer da leitura. O prazer da leitura é o pressuposto de tudo o mais. Quem gosta de ler tem nas mãos as chaves do mundo. Mas o que vejo a acontecer é o contrário. São raríssimos os casos de amor à leitura desenvolvido nas aulas de estudo formal da língua.

Paul Goodman, controverso pensador norte-americano, diz: Nunca ouvi falar de nenhum método para ensinar literatura (humanities) que não acabasse por matá-la. Parece que a sobrevivência do gosto pela literatura tem dependido de milagres aleatórios que são cada vez menos frequentes.

Vendem-se, nas livrarias, livros com resumos das obras literárias que saem nos exames. Quem aprende resumos de obras literárias para passar, aprende mais do que isso: aprende a odiar a literatura.

Sonho com o dia em que as crianças que lêem os meus livrinhos não terão de analisar dígrafos e encontros consonantais e em que o conhecimento das obras literárias não seja objecto de exames: os livros serão lidos pelo simples prazer da leitura.
Fonte: http://pagina-de-vida.blogspot.com.br/2007/05/o-prazer-da-leitura-rubem-alves.html





Leitura: uma odisséia rumo à descoberta



Por Gabriel Chalita
É impressionante como o mar e a leitura estão ligados de forma indelével há milhares de anos. O escritor argentino Jorge Luis Borges – amante inveterado dos livros – dizia uma frase que sintetiza bem esse conceito: “Toda a literatura declina de Homero”. A afirmação impactante do autor de Ficções expõe a importância do poeta grego, cujas obras Ilíada e Odisséia podem ser consideradas verdadeiros marcos da literatura ocidental.
Ambos são belíssimos, mas, em Odisséia, Homero criou uma das mais belas e instigantes histórias já escritas e na qual o mar exerce um papel fundamental no desenvolvimento de seu enredo. Afinal, o que seria de Ulisses (ou Odisseu) sem o mar como pano de fundo para suas aventuras? Da mesma forma, Luís de Camões e Fernando Pessoa – para citar apenas dois ícones da literatura de língua portuguesa – muitas vezes fizeram uso da pena para versificar sobre o mar, sua grandiosidade, sua imponência, sua beleza e sua relevância crucial para o progresso da civilização (grandes descobrimentos, novas rotas de navegação, possibilidade de expansão econômica, comercial etc.) Por meio da História e da Literatura, percebemos que o mar sempre foi palco de grandes aventuras, conquistas e numerosos feitos heróicos da humanidade. Esse mesmo sentimento de descoberta, de desbravamento e de heroísmo presente no espírito dos grandes navegadores também se apodera de todos os personagens reais da vida quando se envolvem, se entregam e se deixam levar pela fascinante viagem proporcionada pela leitura. Quando nos tornamos leitores e passamos a apreciar e valorizar devidamente essa condição, percebemos o quão maravilhoso é poder desvendar o universo e cruzar suas fronteiras de forma ilimitada. Em outras palavras, ler é singrar os mares em direção à esplêndida aventura do conhecimento e do aprendizado. Temos nos livros uma espécie de bússola que nos orienta – piratas e vikings curiosos e sedentos de experiências diversas – na direção exata de um tesouro singular: o saber. Passaporte imprescindível para quem deseja realizar a verdadeira viagem da vida. Neste novo tempo em que o verbo “navegar” ganhou conotações cibernéticas devido às novas ferramentas tecnológicas que nos auxiliam na busca contínua do entretenimento e da informação (leia-se internet), é preciso deixar claro: nada substitui o prazer e os ganhos proporcionados pela leitura de um bom livro. Sem uma sólida formação cultural, acabamos por subutilizar tanto a rede mundial de computadores como todas as demais criações tecnológicas, recebendo suas informações de forma fragmentada e descontextualizada. A leitura nos fornece as condições necessárias para ampliarmos nossos horizontes ao infinito. Aumentamos nossa capacidade crítica, nosso poder de argumentação, de discernimento, de persuasão… Adquirimos a força, a coragem, o entusiasmo, o dinamismo e o espírito adequado para enfrentar as grande tempestades, turbulências e desafios da jornada. Os livros nos credenciam para empreender com sucesso as expedições mais variadas, traçando o rumo de nosso próprio destino com talento, sabedoria e confiança. Em seu poema O Livro e a América, o poeta brasileiro Castro Alves mescla com maestria a relação metafórica mais do que pertinente entre o livro e o mar. Uma visão magistral e que, certamente, irá nos inspirar para que prossigamos esta reflexão que apenas iniciamos : “Oh, Bendito o que semeia / Livros… livros à mão cheia… / E manda o povo pensar! / O livro caindo n’alma / É gérmen – que faz a palma, / É chuva – que faz o mar”.
Fonte: http://www.gabrielchalita.com.br/index.php/o-escritor/textos/item/35-leitura-uma-odiss%C3%A9ia-rumo-%C3%A0-descoberta.html




quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A IMPORTÂNCIA DA LEITURA NAS SÉRIES INICIAIS








A IMPORTÂNCIA DA LEITURA NAS SÉRIES INICIAIS

Antigamente, lia-se se realmente gostava. Não  tínhamos o hábito da leitura como suporte para leitura de mundo., aliás, essa expressão viria a ser criada com o inesquecível Educador Paulo Freire.
Sempre me emociona a aventura da leitura nas séries iniciais. É muito emocionante quando aquela criança que construiu o hábito da Alfabetização e Letramento conosco começa a ler, entrecortado e depois adquire fluência.
Mais bonito ainda quando  a criança inventa de escrever com letra de mão e traz um caderno de caligrafia para que se passe lição de casa.

Resgata um pouco a cultura do manuscrito, onde nesse mundo cada vez mais informatizado, a escrita humana vem sendo substituída pela digitação, impessoal  e monótona, as vezes.
Nos estudos de grafologia, se mede a personalidade de uma pessoa pelo formato de sua escrita.
E a leitura de uma criança é o momento mais encantador que conheço. Ela passeia os olhos pelo papel e vai decifrando pouco a pouco as sílabas das palavras, dando-lhe vida, dando-lhe sonoridade.
Por isso, deve-se incutir o hábito da leitura desde  as séries iniciais, para que entre risos e lágrimas, suspiros e pausas, lembranças e desassossegos, vá se desenhando na alma da criança a escrita do mundo, o conhecimento , para que se verta e se converta na sua própria leitura do mundo.









quarta-feira, 28 de agosto de 2013

EDUCAÇÃO  NA  DIVERSIDADE  E PARA  A DIVERSIDADE
TEMA: 4º FÓRUM DE INCLUSÃO NA UNESP DE ASSIS





Educar na diversidade e para a diversidade. Isso tudo é muito bonito. Mas não se aplica de todo a realidade, não da forma como está estruturada a escola pública.
Há cinco anos, um Professor Mestre de Educação Física reclamava da falta de infraestrutura das escolas públicas. O quadro não mudou muito, não há rampas e nem acessibilidade.As escolas não estão preparadas para atender os alunos com necessidades especiais.
Os professores trabalham com salas lotadas e sem estagiário.
Pode-se ter o CIAPS, o SIM, o SER mas as crianças com NEE passam boa parte na sala de aula.
Proibi-las de frequentar a escola regular não é possível, já que fere o seu direito.


No entanto, precisamos de escolas aparelhadas o suficiente e profissionais com cursos de capacitação para saber lidar com essa clientela.
Não firo nenhum dispositivo ético e nem exponho ninguém e nada  quando falo que trabalhei praticamente o ano inteiro com uma aluna DM que só tinha acompanhamento da auxiliar quando a cadeirante vinha.
Quando a cadeirante faltava, a estagiária era designada para outra sala de aula e eu ficava sozinha com uma sala lotada e a aluna DM.Tive problemas de toda ordem.
No ano seguinte, o prejuízo maior foi meu. Alguns alunos (cinco) não produziram textos  (escrita de contos) que a diretora considerou satisfatório e foi determinado por ela que eu não poderia dobrar a jornada naquele ano.
  Interessante mesmo é que dessa sala, há um aluno que venceu o Campeonato de xadrez e  ouvi  dizer que hoje está no CEDET da UNESP de Assis como aluno portador de altas habilidades. Claro que o mérito é dele, mas sei que mediei muitas de suas habilidades, como o raciocínio lógico matemático, construção de inferências e estratégias de aprendizagem.
Hoje, ouvi de uma diretora de escola a fala que mostra o quanto os educadores e os gestores anseiam por capacitação. Sinto informar que não existe receita pronta.
Para trabalhar com alunas e alunos NEE há de se ter perfil.
Perfil, aliás, parece ser a palavra preferida das gestoras.
O perfil que se distingue é um imperativo categórico que “TODOS ALUNOS PODEM APRENDER”, mas... os alunos com NEE aprendem de acordo com as estruturas cognitivas deles e para alguns professores, isso não é suficiente.
Lembrei-me agora da Poesia de Cecília Meirelles “Ou isto, ou aquilo”.
Ou consideramos que os alunos com necessidades especiais aprendem de forma diferente e paramos de engessar o currículo, selecionando para a amostragem do IDEB apenas os alunos que conseguem acompanhar o currículo formal ou paramos de exigir algumas coisas dos professores que tem alunos com NEE nas suas salas.
Ou sou uma pessoa inconformada com a realidade que age como elemento transformador, como uma mosca na sopa ou adquiro a síndrome de Pollyana.
Queria agradecer o Professor palestrante, muito solícito e simpático, mas o recorte no real é previsível e alimenta a práxis e a dialogicidade, sem esses elementos, não construiremos uma escola de qualidade.
Qualidade, aliás, é a segunda palavra preferida das gestoras...
Controle de qualidade, perfil e reengenharia...
Mas isso é outra prosa....




quinta-feira, 1 de agosto de 2013

EDUCAÇÃO ESPECIAL NO 1º ANO





A inclusão na Educação é a palavra de ordem para todos os pedagogos ou professores em formação.
Inicialmente, não entendemos o que significa educar essas crianças com necessidades especiais. Um desafio muito grande, porque de acordo com suas especificidades, as crianças não conseguem ser educadas com o currículo formal e comum.

Essa semana estarei falando sobre o João, um aluno com necessidades especiais.
Conversando com a mãe adotiva dele, fui informada que ele sofreu um problema no cérebro (paralisia)  quando estava sendo gerado e isso comprometeu algumas áreas do seu desenvolvimento. Havia também uma dificuldade de locomoção causada por uma deficiência na perna, mas foi operado e agora está recuperando com um atendimento multidisciplinar.
Apresenta também problemas na coordenação motora fina, não conseguindo escrever no caderno convencional, precisando de um caderno maior para desenvolver sua aprendizagem.

Esse trabalho com o João tem sido gratificante e espero que possa até o final do ano alcançar o nível alfabético.















domingo, 28 de julho de 2013

SEQUÊNCIA DIDÁTICA: O TRABALHO COM FOLCLORE NO 1º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL

O TRABALHO COM FOLCLORE NO PRIMEIRO ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL DEVE SER DIFERENCIADO , JÁ QUE AS CRIANÇAS ESTÃO NUMA FAIXA ETÁRIA DE CONSTRUÇÃO PRIMEIRA DA AQUISIÇÃO DA LÍNGUA ESCRITA E FALADA.
PORTANTO, O LÚDICO E O CONCRETO SERÃO PARTES INDISSOCIÁVEIS DESSA TRAJETÓRIA DE ENSINO E APRENDIZAGEM.

O PROGRAMA LER E ESCREVER NÃO PLANEJOU ESSE TIPO DE ABORDAGEM. MAS, COMO ESTAMOS TRABALHANDO OS ÍNDIOS NO BRASIL, O TEMA DO FOLCLORE FICA COMO UMA SEQUENCIA DIDÁTICA, JÁ QUE A MAIORIA DAS LENDAS TEM SUA ORIGEM ENTRE OS INDIOS.

FATO CURIOSO:O PADRE JOSÉ DE ANCHIETA , UM DOS PRIMEIROS CATEQUISTAS NO BRASIL, DENTRO DAQUELA TRÍADE: DOTAR DE FÉ, DE LEI E DE REI, ANOTOU EM SEUS ESCRITOS A LENDA DO BOITATÁ.

COM ESSA LENDA, TRABALHAREMOS INICIALMENTE O FOLCLORE NO 1º ANO .
ELA SERA TRABALHADA COMO ATIVIDADE DE LEITURA FEITA PELA PROFESSORA. POSTERIORMENTE, SERÁ VISUALIZADO UM JOGO COM O TEMA COLETADO NO SITE DE JOGOS EDUCACIONAIS.

http://www.universoneo.com.br/fund/index.php?task=view&id=178






COMO ATIVIDADE DE ENCAMINHAMENTO, AS CRIANÇAS DESENHARÃO O BOITATÁ E ESCREVERÃO, EM DUPLAS E COM AUTONOMIA A FRASE:

"O BOITATÁ É UMA COBRA DE FOGO QUE VIVE DENTRO DOS RIOS E LAGOS."



A lenda no Norte e Nordeste 
De acordo com a lenda, o boitatá protege as matas e florestas das pessoas que provocam queimadas. O boitatá vive dentro dos rios e lagos e sai de seu "habitat" para queimar as pessoas que praticam incêndios nas matas. De acordo com esta lenda, o boitatá possui a capacidade de se transformar num tronco de fogo.
A lenda no Sul 
Numa lenda do sul do Brasil, a explicação para o surgimento da cobra de fogo está relacionada ao dilúvio (história bíblica que fala sobre a chuva que durou 40 dias e 40 noites). Após o dilúvio, muitos animais morreram e as cobras ficaram rindo felizes, pois havia alimento em abundância. Como castigo, a barriga delas começou a pegar fogo, iluminando todo o corpo.
Explicação científica:

- Pesquisadores afirmam que esta lenda está associada aos incêndios, que ocorrem espontaneamente em função da queima de gases oriundos da decomposição de material orgânico.

PROJETO ÍNDIOS DO BRASIL- PROGRAMA LER E ESCREVER

ATIVIDADE 2A-  LEITURA DA PROFESSORA E ANOTAÇÃO DAS INFORMAÇÕES RELEVANTES





Comentário: Há muito que superou-se a forma como se conta a origem dos indígenas no Brasil. Ao invés daquela figura ingênua que se encantava e se deleitava com as bugigangas do colonizador, apresentamos agora ao nosso aluno e aluna, a figura de um ser humano com características diferenciadas, com a cultura distinta, o que é estranho em comparação com a nossa cultura. O mais bonito dessa história toda é que na construção da nossa cultura contemporânea, há elementos dessa cultura.
Um ponto crítico dessa situação é que por mais que respeitemos os valores e os construtos dessa cultura ela não teria lugar para o nosso espaço de vivência e de convivência, como elemento agregador em sua forma total.O terreno das culturas, os choques advindos da sua diversidade é um campo fértil para elementos práxicos e dialogicos.



Muitas pessoas acreditam, ainda hoje, que os índios são algo do passado ou que eles estão desaparecendo e perdendo suas culturas. Outras imaginam que só há índios na Amazônia, que todos falam tupi e moram em ocas. É, tem muita ideia errada sobre os índios circulando por aí.




Pouca gente sabe quantos grupos indígenas existem hoje no brasil. Pois bem, aí vai a informação: são cerca de 200 sociedades indígenas diferentes, falando mais de 170 línguas e dialetos conhecidos. De norte a sul, de leste a oeste, existem aldeias indígenas em quase todos os estados que formam o Brasil. Cada uma destas sociedades indígenas tem um modo próprio de ser. Elas não são apenas diferentes da nossa sociedade, mas também se diferenciam entre si: nas tradições,nos conhecimentos, na arte, na economia, na história, no jeito de ver o mundo e de se relacionar com a natureza. Alguns desses povos entraram em contato com os
brancos há muito tempo, outros, porém, só agora começam a estabelecer relações.
Estima-se que a população indígena atualmente totalize mais de 280 mil indivíduos.
Ao manterem contato com os brancos, os índios mudam. Mas eles não deixam de ser índios por causa disto. Hoje é comum vermos índios usando relógios, roupas, gravadores e falando português. E eles continuam sendo índios. Isto ocorre porque
as culturas indígenas são antigas, mas não são paradas no tempo. Elas se modificam, se transformam em função de novos acontecimentos e situações. Como você
pode ver, esses dados mostram que os índios não fazem parte só do nosso passado, mas também estão aí no nosso presente e vão fazer parte do nosso futuro.
(...)
Luís Donizete Benzi Grupioni
Fonte: Programa Ler e Escrever 1º Ano  MEC/SEF





sexta-feira, 26 de julho de 2013

O CURSO DO SEBRAE E A AUTONOMIA DOS ALUNOS


Com o crescimento das Igrejas Evangélicas e as propostas religiosas de que os sacrifícios em nome da fé cristã fazem com que todos virem empresários, a vontade de ser dono do seu próprio empreendimento aumentou consideravelmente. É muito previsível que as portinhas de R$1,99,com mercadorias adquiridas no Paraguai, montadas com o dinheiro do FGTS ou com empréstimos bancários, teve uma sobrevida muito curta. Quem não tem um preparo técnico e nem a malícia das vendas não consegue levar adiante nenhum empreendimento, por mais facilidades que se apresente. Só mesmo quem é dono de uma igreja evangélica sabe o que é administrar a enxurrada de cheques sem fundos lançados como sacrifício de ofertas e dízimos no altar, considerando uma igreja como empresa, desvencilhando-se da fé que move o fiel a doar parte dos seus proventos para a igreja, já que esse é outro assunto. Esses construtos estão sendo abordados, porque pertence ao cotidiano das famílias brasileiras, o que é senso comum. Ultimamente, não se percebe esse tipo de riscos com as economias das pessoas ou seu ínfimo capital acumulado por anos de trabalho, como foi há dois anos atrás. Dentro desse mesmo assunto, a abordagem agora centra-se no fenômeno social de casos em que a sociedade começa a construir uma dinâmica de progresso em seu país. O caso do Japão, depois de dizimado pela bomba atômica em cidades como Hiroshima e Nagasaky , é um caso particular de perseverança e espírito de resiliência, resistência, reinvenção e reconstrução. Hiroshima em duas situações: Atualmente Antigamente, depois da bomba atômica: A cultura japonesa é diferente da nossa, muito trabalho e pouco lazer. O Japão não tem problemas com sua Educação e nem com sua tecnologia. O Brasil tem problemas com a sua educação, com a sua tecnologia e com a cultura de sua população. O governo que diz ter metas para a erradicação da pobreza vive dando o peixe e não ensina a pescar. Bolsas que alimentam a cultura da preguiça, do menor esforço possível. Tem o seu lado positivo, mas esses pontos críticos, os negativos, devem ser ressaltados. O que toda essa conversa tem a ver com os cursos do SEBRAE e com nossos alunos e alunas? O espírito do empreendimento, o de sobreviver desapegado ao fluxo do mercado de trabalho, com a inexistência de vagas ou de pessoal qualificado para preenchê-las. Essa cultura do esforço, da recriação, da invenção é bem mais pertinente do que ficar escrevendo, assistindo aulas expositivas o tempo todo. Nosso currículo é conteúdista. Se os professores não souberem administrar o seu tempo, chegará ao final do ano sem ter esgotado os livros do currículo formal: Projeto Ler e escrever, PNAIC, EMAI,etc. Mas agora, surge o curso do SEBRAE. Esse é o mais importante. São conceitos na prática. O material é arrecadado com as famílias ou comprado a preço de custo, os alunos produzem material que será vendido para as próprias famílias. Qual é o lucro disso?A valorização do indivíduo e a construção de sua autonomia, o risco, o desafio, a provocação para um estado alternativo de ser e de estar.Enquanto se trabalha com as crianças a cultura do empreendedorismo, trabalha-se todas as outra disciplinas. Trabalhoso? Muito. Mas ninguém disse que nada é fácil. O que é fácil, não tem valor. Qual o compromisso dos professores em relação aos seus alunos e alunas? Ensinarem a pescar, abrirem portas. Temos aqui em Candido Mota, as bebidas da Conti, que surgiu no fundo de um quintal, com uma história de superação. Em Mandaguari temos a Romagnole que é um foco de emprego para a sua população, a sua origem foi humilde, perto da potência que ela é hoje. A fábrica de biscoito Liane,a viação Itapemirim, são indústrias que nasceram de suas referências: a dificuldade e a superação. Não há o que reclamar de currículos comuns. Houve a necessidade da reformulação e da unificação do currículo. Estamos ainda em vias de superação da qualidade da nossa educação, do crescimento do conhecimento. O que a escola me trouxe enquanto indivíduo? A necessidade de ter uma profissão, de não viver de subempregos ou de expedientes vergonhosos. Sou professora. Poderia ter sido médica, mas me faltaram condições. Tenho sonhado com outras portas, com empreendedorismo, meu salário não é suficiente, sou uma profissional pouco valorizada. Não recebi essa cultura, não sei como fazer. Talvez aprenda, com meus cursos. O desvalor da minha profissão está relacionada ao rendimento da população brasileira nos índices internacionais.Agora que o panorama está mudando. Chega de teoria. Vamos para a prática. Pensando em empreender com os nossos alunos, a mudança de suas vidas, nas suas condições de sujeitos históricos, do seu valor como indivíduos e como cidadãos.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

RESENHA DO PROJETO "INDIOS DO BRASIL" LER E ESCREVER


A pergunta inicial é: para que se vai trabalhar sobre os índios do Brasil com crianças do 1º ano do Ensino Fundamental? A proposta dos autores é que conte para a criança sobre os índios sem cair no estereótipo do romantismo ou do pejorativo.
A ênfase do Projeto centra-se em torno dos elementos culturais, aproximando as crianças da Identidade cultural do povo brasileiro, através da sua identificação e valorização.
A abordagem também sobre a relativização da “descoberta” do Brasil pelos europeus, desconsiderando as culturas já existentes aqui.
No resgate da cultura indígena, fica a valorização das raízes brasileiras, dimensionando a importância do índio como ser cultural e constitutivo de nossa nação.
PROFESSORA: ____________________________________________ SALA: FICHA DE ACOMPANHAMENTO DO PROJETO “INDIOS DO BRASIL”- LEITURA NOME DO ALUNO HABILIDADES DESENVOLVIDAS S ( ) N( ) P( ) Ler legendas ou partes delas a partir das imagens e de outros índices gráficos. S ( ) N( ) P( ) Antecipar significados de um texto escrito a partir das imagens/ilustrações que o acompanham ou marcadores característicos de cada gênero. S ( ) N( ) P( ) Diferenciar tipos de livros, literários, informativos e demais suportes de texto e saber nomeá-los, conhecendo seus usos. S ( ) N( ) P( ) Apreciar textos literários (considerando aqui a leitura de mitos e lendas). S ( ) N( ) P( ) Escutar atentamente a leitura de mitos e lendas. Fazer comentários sobre a trama, os personagens e cenários. Relembrar trechos. Relacionar as ilustrações com trechos da história (sobre mitos e lendas). S( ) N ( ) P( ) Conseguir recontar um mito que ouviu mantendo uma sequência, recuperando trechos da narrativa e usando expressões ou termos do texto escrito. S( ) N( ) P( ) Emitir comentários pessoais e opinativos sobre o texto lido. FICHA DE ACOMPANHAMENTO DO PROJETO “INDIOS DO BRASIL”- ESCRITA NOME DO ALUNO HABILIDADES DESENVOLVIDAS S( ) N( ) P( ) Usar conhecimentos sobre as características das narrativas míticas ao produzir um texto, ditando ao professor, respeitando as normas da linguagem que se escreve. S( ) N( ) P( ) Antecipar significados de um texto escrito. S( ) N( ) P( ) Usar um texto fonte para escrever de próprio punho. S( ) N( ) P( ) Produzir listas nas atividades relacionadas ao estudo (lista de alimentos cultivados pelos povos estudados, por exemplo S( ) N ( ) P ( ) Arriscar-se a escrever segundo suas hipóteses. FICHA DE ACOMPANHAMENTO DO PROJETO “INDIOS DO BRASIL” CIÊNCIAS NATURAIS E SOCIAIS (HISTÓRIA, GEOGRAFIA E CIÊNCIAS NATURAIS NOME DO ALUNO HABILIDADES DESENVOLVIDAS S( ) N( ) P( ) Estabelecer relações entre o modo de vida de seu grupo social e de outros grupos no presente e no passado. S( ) N( ) P( ) Interessar-se pela maneira de viver de diferentes grupos. S( ) N( ) P( ) Demonstrar respeito em relação às diferenças. S( ) N( ) P( ) Interagir com as diferentes tradições culturais e utilizá-las em suas brincadeiras, jogos e apresentações S( ) N( ) P( ) Registrar informações, utilizando diferentes formas: desenhos, textos orais ditados ao professor, comunicação oral registrada em gravador etc. FICHAS DE ACOMPANHAMENTO DO PROJETO “INDIOS DO BRASIL” ARTES NOME DO ALUNO HABILIDADES DESENVOLVIDAS S( ) N( ) P( ) Apreciar, externando opiniões e sentimentos, reproduções de obra de arte em livros, fotos, internet S( ) N( ) P( ) Desenhar, pintar, produzir colagens transformando, produzindo novas formas, pesquisando materiais, pensando sobre o que produz. S( ) N( ) P( ) Valorizar suas produções e de seus colegas

domingo, 21 de julho de 2013


http://bcove.me/krzype8j

sábado, 20 de julho de 2013

O CASO TRAYVON MARTIN


Obama diz entender frustração de negros, como afirma o Jornal Folha de São Paulo, na seção Mundo de 20 de Julho de 2013. O Presidente afirma que Trayvon, o garoto assassinado por um vigia enquanto estava indo para a casa da namorada do pai, podia ser ele mesmo há anos atrás. Reforça o fato do preconceito como existente quando faz afirmações sobre o caso: “Poucos afro-americanos nesse país não tiveram a experiência de ser seguidos enquanto faziam compras em lojas de departamentos. Ou andar pela rua ouvir porta dos carros sendo travadas. Acontecia comigo antes de virar senador.” Frustra saber e fazer eco a afirmativa do jornal quando pontua que esse é um caso de que “é assim que as coisas funcionam”. Obama não quer se posicionar e nem comentar a respeito de racismo de forma direta, pois ele é uma figura polarizadora, já que governa para não brancos e brancos, segundo alguns analistas políticos americanos. A premissa do juiz, que segundo o jornal, bloqueou qualquer discussão a respeito de raça foi a de que... Travis Martin parecia um grande delinquente negro. Parecia ser um predador preparado para um rompante ou uma farra no crime. Do que se podem chamar essas afirmações? Racistas, suponho. Um dos “erros” do adolescente foi o de cobrir a cabeça com capuz, enquanto caminhava com uma lata de refrigerante nas mãos. Ajuda nesse combate geopolítico e de relações de poder, desfavorável ao afro-americano, o fato da Suprema Corte dos Estados Unidos diluir manifestação de preconceito quando decreta a proibição de não comentar mais sobre termos como “raça” , que é tido como racista, ainda que seja uma situação para remediar a desigualdade, conforme declara a analista Patricia Willians, do Guardian. Dessa forma, é quase impossível provar discriminação. Em análise é uma alternativa inteligente dos brancos de silenciar a opressão e a discriminação sofridas pelos não brancos. A desigualdade está presente na forma da lei. Então, desse modo, o “Eu posso”ou “Nós podemos”, do Presidente Obama passa pelo crivo das afirmações sutis e conformistas dos descendentes africanos em qualquer parte do mundo: “Eu posso conviver com a diversidade racial e étnica desde que saiba jogar o jogo dos brancos: em última hipótese, combater os da minha raça, fazer como os irmãos raciais de escravos que eram vendidos pelos seus semelhantes, separando famílias e permitindo que se faça uma série de atrocidades com os tais”. “Nós podemos conviver com os brancos se admitirmos seus valores e fingirmos que somos como eles, negando a nossa cultura, a nossa forma de ser e de estar”. Depois de ter a honra e a dignidade de pessoa comprada pelas moedas de ouro ou de euro do capitalismo selvagem e suas funestas derivações, assim ele se posiciona: “Há um contexto histórico e são assim que as coisas funcionam, mas eu compreendo a frustração dos afro-americanos”.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

THE SCHOOL FUTURE BY RIO DE JANEIRO, IN ENGLISH



ESSE É O FORMATO DAS ESCOLAS DO FUTURO. CONSCIÊNCIA HUMANA E VIRTUAL INTERCALADAS...

quarta-feira, 17 de julho de 2013

O papel da consciência na aprendizagem

A consciência é um sentimento de si gerado pelo relato não verbal resultante da percepção concomitante das alterações orgânicas e do objeto que as provoca, como assegura Antônio Damásio, reconhecido médico neurologista em seu livro “The feeling of what happens: body and emotion in the making of consciouness”, traduzido pelo português como “O mistério da consciência”. Tranformar um objeto (padrão neural, aquilo que eu visualizo) em um padrão mental, através da consciência. Todas as coisas que visalizamos passa primeiro pela nossa consciência, o sentimento de si, de esta r e de perceber.Algo só existe para mim se eu aceitar como tal, se o meu aparato orgânico e psíquico realizou desse objeto uma “assimilação deformante”, segundo Piaget. Nós que estamos criando esses objetos, não os outros. Ao partir desse princípio, a perspectiva dos livros de auto-ajuda que insistem em dizer que podemos mudar a nossa vida pela força do nosso pensamento está correta. No filme Alice no país das maravilhas, a personagem principal cai em um buraco e entra em um mundo totalmente estranho ao que traria o seu cotidiano. Como Alice não é real, todos os sentimentos e afetos que o filme nos provoca, foi gerado pela mente de Lewis Carrol, o autor da história.Para Damásio, a consciência é criada a posteriori, não havendo inatismo, um processo contínuo, de constante recriação, apoiado na metáfora do rio que flui incessantemente. Um problema se apresenta aí: se a consciência para ser, precisa do corpo, a perspectiva da vida sem o corpo, a nossa imortalidade cogitada por segmentos religiosos, inexiste. Quando morre o físico, o orgânico e o psíquico perecem. Não acredito nisso e creio que essa revelação sobre a consciência é apenas parte da verdade, pelos métodos particulares e acasos empíricos, na epistemologia sujeito objeto. A epistemologia ou origem do conhecimento, cuja origem deriva do grego: episteme: conhecimento e logos: estudo estuda essa relação, no qual o sujeito (cognoscente), atua sobre o objeto, que sofre o processo do conhecimento. Para além de Damásio, apoiada em experiências empíricas, assimilei outro tipo de consciência que não dependia do corpo, já que estava sobre a cama, impossibilitado, gravemente ferido. Então, não preciso de apoio religioso para afirmar que existe consciência fora do corpo humano, que há um inatismo que não está necessariamente ligado as nossas experiências terrenas. E toda experiência psicológica que tenho tido, seja como aluna ou como paciente, revela um caminho, que por mais fascinante e encorajador, não satisfaz algo que foi adquirido com a minha experiência da consciência desprendida do corpo por apresentar um reducionismo de uma realidade que observamos em espelho, mas um dia veremos face a face. Dos alunos que submeto a encaminhamentos, quando estes acontecem, o que está cada vez mais difícil, em face da demanda e da banalização do atendimento psicológico, observo uma sensível melhora o que admite a possibilidade de que há uma parte da nossas consciência dócil a instrução e orientação e abre outro parâmetro: os sujeitos quando tem consciência de si, de seus processos mentais, de seus padrões de comportamento concomitante a moralidade instituída e desejada, consegue superar uma forma errada de ser e de estar e adquirir harmonia.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Para uma Pedagogia Experimental, o estudo de métodos e currículos

Atualizando a Pesquisa e a Prática

Fonte: Munari, Alberto, Jean Piaget,Ed. Massangana, Coleção Educadores MEC

Tenho lido sobre o referencial teórico da Pedagogia enquanto Ciência e me deparei com uma frase de Munari (p. 76,2010), em que não há um pedagogo de expressividade para nos representar e essa Ciência encontra-se defasada em relação as outras.
Um problema muito grande é não haver pesquisas sobre os resultados de ensino aplicados nas escolas, sejam públicas ou particulares. Eis que se torna necessário um segmento da Sociedade que se ocupe em selecionar pedagogos, professores pesquisadores que tragam os resultados das salas de aulas, ainda em que amostragens tímidas de pesquisas e observações.
Munari (idem), pontua que os grandes nomes envolvidos com a Pedagogia não eram pedagogos: Comênio era teólogo e filosófo, Rousseau não lecionava, Fröbel, criador do Jardim de Infância era químico e filósofo, e tantos outros como Montessori, Piaget, Claraparède,etc.
Então, se a Ciência nos deixou órfãos de um grande nome para nos representar, representemos a nós mesmos e lembremo-nos que a Pedagogia é a mais nobre das Ciências, pois a ação do professor primário é a raiz das outras profissões. Sem uma professora primária não existiriam as demais disciplinas nem a formação de outros profissionais, ainda que algumas famílias insistam no ensino doméstico, carecem de metodologias e técnicas adequadas.
Peço o fortalecimento das conexões entre as Ciências como Psicologia, História e Letras do Campus da UNESP de Assis  e a Secretaria de Educação de Assis e o investimento para a Formação continuada de Professores de Educação Básica, com um nível de excelência nas áreas de Mestrado e Doutorado.
Os professores do Curso de Letras da UNESP de Assis observam que seus alunos e alunas, ainda que tenham conseguido passar no Vestibular, tem uma grande dificuldade em interpretar textos com maior aprofundamento e cometem erros ortográficos e gramaticais.
A nossa cultura de leitores está se formando agora e uma boa parte  dos profissionais ligados a área de Humanas não conseguem e nem gostam de ler. Isso vem da escola tradicional: ler apenas os autores que iriam cair na prova da Escola. Quando chega a prova do vestibular, que é uma avaliação externa, a primeira tarefa é tentar adivinhar se vai cair Guimarães Rosa, Machado de Assis ou José de Alencar.
Um ponto positivo muito importante no PNAIC (Programa Nacional para Alfabetização na idade certa) é que há uma boa quantidade de leituras referentes a área e a formação de tutores e orientadores .







domingo, 7 de julho de 2013

CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA NA VISÃO DE EMILIA FERREIRO E O RESGATE EMPÍRICO DE UMA SALA DE APOIO 3º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL





CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA NA VISÃO DE EMILIA FERREIRO E O RESGATE EMPÍRICO DE UMA SALA DE APOIO 3º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL
ATUALIZANDO A PESQUISA E A PRÁTICA

Para que serve segmentar a fala?-pergunta Emilia Ferrero. Ao pedir chocolate a sua mãe, a criança grita: CHO-CO-LA-TE, em situações de oralidade. Isso é próprio da criança, não precisa ser ensinado. Da mesma forma, uma professora quando chama a atenção do seu aluno ou aluna, para enfatizar a repreensão, segmenta:
__MA-RI-A DA -SIL-VA, sente-se em seu lugar!
Na última sexta-feira, ao ensinar uma criança que veio de uma sala de aula regular para a SAP (Sala de Apoio pedagógico) com problemas na sua base alfabética (silábico com valor sonoro), eu estava trabalhando ortografia: X ou CH.
O contexto que se dá é: o texto no livro didático de Língua Portuguesa, que não pode ser usado porque havia poucos alunos, a música (texto de memória), “Caranguejo não é peixe” e a escrita imperfeita da palavra chave, “xave”.
Pois bem, peço aos alunos que me digam duas listas de palavras: uma com x e outra com ch. Trabalhamos com poucas palavras, para não cansar demais.
O aluno me deu a palavra: XERIFE. Construí na lousa com as crianças a lista de palavras e chamei-o para ler a palavra que tínhamos construído, pontuando os pedaços sonoros da palavra, inicialmente e depois lendo a palavra sem silabar.
Ele, a quem chamarei de Guto, para preservar a sua identidade, leu a palavra pontuando as letras da palavra, letra, por letra, e deu-se um conflito no mesmo: porque x para XE, e para RI e r para FE, ficou mais conflituoso, porque se a escrita fosse realizada por ele, apagaria o restante das letras, já que buscou acomodar cada som vocálico a uma letra, o que oscilaria ele novamente para a hipótese silábica sem valor, porque r para FE não corresponde.
   XERIFE

XERIFE
Percebi que era o momento de intervir: peguei um giz colorido e expliquei a ele novamente que as sílabas, pedacinhos sonoros das palavras, se constroem com quantidades de letras e naquele caso, usamos duas letras para cada sílaba.
Fiz um aporte fônico, enfatizando o som de casa sílaba, e demonstrando qual a parte do nosso aparelho vocálico usamos para pronunciar as sílabas: x um som emitido entre os dentes, rrr, o som com a língua apoiada no céu da boca, fff, o som com os dentes apoiados nos lábios.
(Cagliari  (Alfabetizando sem o bá-bé-bi-bó-bu, 1999) considera pedante um ensino dessa forma, mas não há outra maneira de ensinar e as crianças se divertem, porque ao se exagerar as pronúncias das letras, nossas expressões faciais ficam bem interessantes.)
Com o giz colorido, pontuei corretamente as sílabas da palavra e pedi a ele que lesse, apontando com o dedo cada pedacinho sonoro. Ele ficou feliz, porque o seu conflito tinha sido resolvido e conseguiu ler as outras palavras ditadas por outras crianças.
Já tinha sido mostrado a mim,pela Coordenação,  a dificuldade dessa criança, que na escrita, como silábico alfabético, insiste na sua zona de conforto que é a leitura com o nível silábico com valor sonoro. E foi por essa leitura e sua dificuldade de estruturar uma frase numa produção de texto que foi remanejado.
Não pude, entretanto, mantê-lo silábico com valor sonoro, porque Guto já realizou muitas descobertas, e para uma lista de palavras no campo semântico, ele escreveu assim:
MOTAELA       MORTADELA
PESUNTO      PRESUNTO
QUEGO       QUEIJO
PONÂO       PÃO
OMININOKMEUQUEGO.
O MENINO COMEU QUEIJO
Se pedir a ele que lê essa construção, provavelmente, agora pontuará as sílabas e não as letras. Se entendi bem o que Ferreiro e Weisz quis questionar nesse diálogo, talvez tenha dado a resposta.
A consciência fonológica é importante para as crianças no processo de alfabetização, sim, mas não resolve o problema de todas.
Tenho ainda dois alunos que estão no silábico com valor sonoro há mais de um ano e que acreditam ser essa a forma correta de escrever, que quem escreve errado são os pares e eu.
Métodos construtivistas e interacionistas, silabação, fonetização, material concreto e lúdico, figuras, recortes, cruzadinhas, todo o tipo de estimulação pedagógica que eu conheço já foram utilizados e mesmo de férias, estou garimpando uma forma de mediatizar o acesso dessas crianças a mundo alfabético e letrado.
Pois, como diz Rogers (2010):
“ A compreensão do outro, profunda e autêntica constitui um elemento a mais que contribui para criar um clima próprio para a auto-aprendizagem fundada sobre a experiência quando aquele que ensina é capaz de compreender as reações do estudante no seu íntimo, de perceber a maneira como nele repercute o processo pedagógico (p.18)”
Sobre a insistência dos alunos em manter-se estagnados na sua hipótese, Rogers (2010), assim se posiciona:
“ A  aprendizagem que implica uma modificação da própria organização pessoal_ da percepção de si _ representa uma ameaça e o aluno tende a resistir a ela (p.21”).
Esses alunos só estarão aptos a modificar sua hipótese quando para eles isso for plausível e interessante , que descubram estarem errados.
Agradecendo em nome dos educadores que posso ter a humildade de representar as duas elegantes senhoras, Telma Weisz e Emília Ferreiro, toda a contribuição que fizeram para a Educação brasileira, da descoberta sobre os níveis de alfabetização das crianças, da preocupação em inserir o letramento paralelo a Alfabetização, peço que reconsiderem algumas aspas em seu discurso e permitam aos senhores professores inserirem a consciência fonológica em sala de aula como um recurso, pois o próprio professor ou professora, é um recurso vivo e atuante.