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quarta-feira, 17 de julho de 2013

O papel da consciência na aprendizagem

A consciência é um sentimento de si gerado pelo relato não verbal resultante da percepção concomitante das alterações orgânicas e do objeto que as provoca, como assegura Antônio Damásio, reconhecido médico neurologista em seu livro “The feeling of what happens: body and emotion in the making of consciouness”, traduzido pelo português como “O mistério da consciência”. Tranformar um objeto (padrão neural, aquilo que eu visualizo) em um padrão mental, através da consciência. Todas as coisas que visalizamos passa primeiro pela nossa consciência, o sentimento de si, de esta r e de perceber.Algo só existe para mim se eu aceitar como tal, se o meu aparato orgânico e psíquico realizou desse objeto uma “assimilação deformante”, segundo Piaget. Nós que estamos criando esses objetos, não os outros. Ao partir desse princípio, a perspectiva dos livros de auto-ajuda que insistem em dizer que podemos mudar a nossa vida pela força do nosso pensamento está correta. No filme Alice no país das maravilhas, a personagem principal cai em um buraco e entra em um mundo totalmente estranho ao que traria o seu cotidiano. Como Alice não é real, todos os sentimentos e afetos que o filme nos provoca, foi gerado pela mente de Lewis Carrol, o autor da história.Para Damásio, a consciência é criada a posteriori, não havendo inatismo, um processo contínuo, de constante recriação, apoiado na metáfora do rio que flui incessantemente. Um problema se apresenta aí: se a consciência para ser, precisa do corpo, a perspectiva da vida sem o corpo, a nossa imortalidade cogitada por segmentos religiosos, inexiste. Quando morre o físico, o orgânico e o psíquico perecem. Não acredito nisso e creio que essa revelação sobre a consciência é apenas parte da verdade, pelos métodos particulares e acasos empíricos, na epistemologia sujeito objeto. A epistemologia ou origem do conhecimento, cuja origem deriva do grego: episteme: conhecimento e logos: estudo estuda essa relação, no qual o sujeito (cognoscente), atua sobre o objeto, que sofre o processo do conhecimento. Para além de Damásio, apoiada em experiências empíricas, assimilei outro tipo de consciência que não dependia do corpo, já que estava sobre a cama, impossibilitado, gravemente ferido. Então, não preciso de apoio religioso para afirmar que existe consciência fora do corpo humano, que há um inatismo que não está necessariamente ligado as nossas experiências terrenas. E toda experiência psicológica que tenho tido, seja como aluna ou como paciente, revela um caminho, que por mais fascinante e encorajador, não satisfaz algo que foi adquirido com a minha experiência da consciência desprendida do corpo por apresentar um reducionismo de uma realidade que observamos em espelho, mas um dia veremos face a face. Dos alunos que submeto a encaminhamentos, quando estes acontecem, o que está cada vez mais difícil, em face da demanda e da banalização do atendimento psicológico, observo uma sensível melhora o que admite a possibilidade de que há uma parte da nossas consciência dócil a instrução e orientação e abre outro parâmetro: os sujeitos quando tem consciência de si, de seus processos mentais, de seus padrões de comportamento concomitante a moralidade instituída e desejada, consegue superar uma forma errada de ser e de estar e adquirir harmonia.

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