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domingo, 8 de janeiro de 2017

Educação Especial: novos desafios








A inclusão nas salas de aula é algo presente no cotidiano de cada professor ou professora que trabalha com Educação. Novos rumos para a Educação brasileira, novos desafios.
Devemos ter em mente que cada aluno aprende de um jeito. Ano passado, um aluno considerado como especial tinha perda auditiva e usava aparelho. Como foi bom observar na prática e na teoria que ele conseguiu evoluir na sua aprendizagem como os outros alunos que não apresentavam nenhum tipo de alteração orgânica ou até melhor do que alguns que tinham dificuldades comportamentais ou de aprendizagem.
Alunos especiais proporcionam  experiências de aprimoramento e maturidade da prática pedagógica e reflexiva. Também são seres humanos sensíveis a estímulos do ambiente e na revisão e reflexão do ofício de educadores, precisamos encontrar maneiras de trabalhar com essas crianças, incluindo-as e ensinando a outras crianças que precisamos conviver na diversidade.
Realmente, o maior benefício é recíproco. Que Deus abençoe sempre as famílias,  crianças e os professores para que possam construir outro Paradigma de Educação inclusiva e acolhedora.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Fernando Collor, Dilma Roussef , Cid Gomes e o Brasil carinhoso



A Presidente Dilma Roussef através de manobras políticas e a sua base aliada conseguiu  adiar a proposta de impeachament , ou o impedimento que serve para que a atual governante do país seja destituída do seu cargo.
Para muitos que pensam a Política no país, Dilma Roussef serve apenas como testa de ferro para que seu pretenso criador, o Luis Inácio Lula da Silva continue a manobrar e a interferir na máquina pública.
Por uma questão moral e de sobrevivência do oprimido, a imagem acima pretende demonstrar a falácia de tantos discursos e de políticas públicas para que o principal índice do Brasil passe por uma reforma que coloque a Educação dos desfavorecidos no rumo certo e que possamos evoluir através do enfrentamento da realidade: que se ensine e se prepare os brasileiros para que assumam a sua própria vida com autonomia, através do estudo e do trabalho.
Duro contraste com a realidade do Brasil, muitas vezes recortada de lugares como a Cracolândia ou até mesmo nas avenidas de São Paulo, nos sinais e nas calçadas, onde tantas crianças esmoleres imploram por continuar sua trágica vida.
O golpe de Estado, já desenhado e tendo como titular Eduardo Cunha, Presidente da Câmara dos deputados que também já demonstrou ser mais um ídolo com pés de barro, pelas denúncias levantadas contra ele, está longe de ser uma realidade.
Existe uma forma de entender o que acontece ao refletir que sobre a própria Presidente não há um fato relevante e incriminador que a deponha: todas as notícias envolvendo lavagem de dinheiro e outras maracutaias  envolvem pessoas que estão sendo destituídas de seu cargo , o que significa dizer que se Dilma administra o Governo não pode ser culpada, hipoteticamente,  diretamente dos atos ilícitos que envolvem sua equipe de Governo.
Em relação a Cid Gomes, com suas declarações fortes, já se sabe o que aconteceu: é um ex-ministro da Educação.
Para os brasileiros que votam não há muita esperança: se até Lula, ex-desfavorecido, que conheceu de perto a miséria da vida, não conseguiu manter por muito tempo a capacidade de governar sem se deixar enlouquecer pelo poder, e esqueceu que aquela criança marginalizada e oprimida depende das suas decisões em relação a Saúde e a educação, qual esperança que temos para considerar elegíveis   os candidatos que se apresentarão como tal?
O Brasil carinhoso, título conferido por uma presidente que saudou até a mandioca, está longe de ser carinhoso, e se eu sou obrigada a escrever essas imbecilidades, não posso ser culpada por isso, já que são os reflexos do ambiente que me cerca.
Muito desânimo para o ano de 2016, não tanto  por causa do fator econômico e da alta do dólar, mas sim para acontecimentos que são: A extração de nióbio de forma irregular, a farsa dos ianomanis ,  o desperdício e a posse indevida do dinheiro do pré sal ( ninguém fala mais dele), as maracutaias e o derramamento de dinheiro que irá acontecer com a Olímpiada de 2016, e todas essas tragicomédias que se desenham no mapa  histórico do Brasil.


FELIZ COLONIZAÇÃO NOVA COM A BANALIZAÇÃO DO MAL

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

COMIDA

Comida, representação social

A Psicologia da Comida

Fonte: VERONESE, Marília Veríssimo; GUARESCHI, Pedrinho A. (Orgs.). Psicologia do cotidiano: representações sociais em ação. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007. 312 p. Patricia Caldeira Tolentino∗

A Professora precisa comer para trabalhar, alunos pobres precisam comer para estudar

"Denise Amon e David Maldavski trazem ao âmbito da Psicologia Social o tema comida, considerando que, historicamente, a Psicologia abordou a comida de uma forma individualista, baseada no modelo mecanicista. Os autores realizam uma profunda revisão de literatura antropológica, sociológica e psicológica, enfatizando abordagens distintas da comida e das práticas da alimentação. A teoria das Representações Sociais é apontada como subsídio para a hipótese de que a comida pode ser narrativa social, trabalhando com o conceito de voz da comida, que trata das práticas alimentares como narrativa que possibilita trazer o contexto sócio-histórico dos sujeitos. O artigo menciona a pesquisa empírica que buscou conhecer os signifi cados da comida e das práticas da alimentação para clientes e equipe de trabalho de um bistrô no sul do Brasil, em que se destaca a narrativa cotidiana da comida como nutrição e vida." 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Olhares sobre a Educação no Brasil.... interfaces e dilemas



Fonte: Reunião conjunta das comissões de educação, assuntos sociais e direitos humanos

TÓPICOS:

  1. ·         Educação nos primeiros anos de vida que começa na família ou o substitutivo da família
  2. ·         Discussões do desenvolvimento infantil desde o Perinatal
  3. ·         Debate sobre Primeira Infância e Epigenética: um novo paradigma








A TV Senado apresentou, no dia 30 de Dezembro uma palestra com profissionais ligados às áreas da Saúde e da Educação, cujo foco era a alimentação, o afeto e a Educação;
De acordo com as falas dos profissionais, o que se conclui é que seria essencial o cuidado com a alimentação da mãe, para que a criança não nasça com deficiência nutricional e neurológica.
Ao unir esses pressupostos com a Política de cotas e o fracasso escolar, existe a preocupação sobre as interfaces desses assuntos que são as seguintes:
É positiva a política de cotas para correção da injustiça social que recai sobre os indivíduos pertencentes às camadas populares, mas que, ao refletir-se sobre as condições caóticas das famílias pobres e destituídas de assistência médica e financeira, não torna possível a esses estudantes oriundos de famílias de baixa renda o sucesso no mundo acadêmico;

Concluindo, a psiquiatra e o pediatra franceses que estavam presentes no recinto, falaram sobre a questão nos parâmetros biológicos: testes de Quociente de inteligência e suprimentos nutricionais com a alimentação de qualidade para que o cérebro, sistema elétrico, tenha mielinização o suficiente para as trocas de impulsos entre as sinapses;
Essa energia visa o desenvolvimento cognitivo que se reflete no desempenho escolar do educando.
Tal condição só é possível, segundo o exposto, através da boa alimentação e de boa estrutura familiar.
Essas falas ecoam nos discursos ouvidos nas Universidades, dos próprios professores: Famílias de baixa renda, com problemas graves de desestrutura familiar não conseguem aprender e nem desenvolver suas habilidades no mundo acadêmico.
Nesse discurso sublinha-se a sugestão da profecia da incapacidade dos menos favorecidos, (profecia autorealizadora  do fracasso escolar),  tornando inquietante a qualidade da educação oferecida no Brasil, a banalização e o sucateamento do ensino superior, o despreparo biológico  e /ou cognitivo dos estudantes da classe popular e outras questões que incomodam cotidianamente.
Outro assunto a ser refletido é o mote do Governo: alfabetização na idade certa. Preparam-se professores para que  alfabetizem crianças brasileiras de qualquer extrato social até os oito anos de idade. Mas ignoram esses pressupostos tão bem delineados nessa Palestra: a de que para o estudante aprender, o básico é a boa alimentação, uma mãe com estrutura psicológica saudável, uma família organizada.
Condições irreais para um país que está submerso na corrupção e no desvio do dinheiro público.

Que bom que a culpa não é mais dos professores do Ensino Fundamental.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Produção de textos na alfabetização

Texto original:

https://www.primecursos.com.br/openlesson/10025/101549/


Como auxiliar os alunos a produzir textos 





Produzir é realizar, criar, fabricar; texto é um desenho, uma palavra, uma frase ou um conjunto delas que, dentro de um contexto, transmite um significado ou uma idéia. Produzir textos é inerente à criança. Antes mesmo de conhecer letras, ela conta um fato, descreve um passeio, dita regras de uma brincadeira, entre outras coisas. Em sua rotina diária, ela produz texto oral.
Seu mundo é um emaranhado de palavras que aqueles que a cercam conseguem entender apenas porque “ela se faz entender”. Existe um diálogo natural que se manifesta, por exemplo, quando a mãe, por não entender o que a criança diz, pede que ela repita ou mostre, tendo em vista auxiliar o filho.
Entretanto, na escola, a criança precisa obedecer a regras de espaço, seqüência e lógica, aliadas às regras ortográficas e gramaticais não definidas para ela. Algumas vezes, o aluno não escreve porque não sabe o quê ou sobre o quê quer escrever, ou porque não está motivado, independentemente de saber escrever ou não; outras vezes, ele escreve apenas para satisfazer uma exigência do professor. Assim, a criança se nega a produzir ou não se esforça muito para isso. E, então, começa o bloqueio: escreve pouco ou não escreve.
A criança passa por fases na produção, todas igualmente importantes para ela, e o professor deve requerer essas produções de maneira gradativa no que se refere à dificuldade de execução, ou seja, para chegar a elaborar um texto individualmente, com forma e conteúdo próprios, a criança precisa, antes, trabalhar textos coletivamente ou em pequenos grupos, sob a orientação do professor, com base em modelos de escrita corretos e variados quanto à forma (poesia, contos, música, trava-língua, etc.).
Sem dúvida, é muito mais gratificante ler um texto que se desenvolve dentro dos padrões convencionais da ortografia, mas isso não deve ser a primeira e a principal preocupação, porque a escrita considerada correta, nos padrões da norma culta, não está pautada na oralidade, e apenas com o “exercício” o aluno poderá perceber isso e se corrigir.
A criança precisa ser incentivada a soltar-se para escrever, a revelar seu interior, a transcrever suas experiências, a relatar fatos do seu mundo sem ter que se preocupar com correções, riscos vermelhos e notas baixas: simplesmente escrever o que lhe dá maior prazer e saber que, com isso, está se comunicando.
Seja qual for a reação do professor ao ler um texto, o importante é que ele tente “traduzir” o que o aluno quis transmitir. Se não conseguir entender, o professor deve pedir que a criança faça a “leitura”.
Atualmente, existe uma preocupação maior com a produção de textos desde os primeiros anos de escolaridade e, depois de observar nossos alunos, podemos concluir que a criança pode escrever um texto desde o primeiro dia de aula. Em geral, não é muito fácil o entendimento desses textos iniciais por parte do professor, e para que isso não aconteça, para que o aluno tenha retorno do seu trabalho, é preciso conversar com a criança sobre o que ela escreveu.
Não é preciso fechar famílias silábicas nem desenvolver regras gramaticais antes da produção. A criança deve escrever da maneira como entende que seja a escrita e, aos poucos, ao ser desenvolvidos os conteúdos, ela mesma se corrigirá ou, se um determinado erro persistir, deverá ser direcionado à correção.
Os alunos se interessam mais por uma informação e a retêm melhor se ela fizer parte de um todo: eles vivem o momento tão intensamente que tudo o que é retirado de um assunto central, com significado para eles, fará parte deste momento tão bem vivenciado.
Portanto, não têm sentido atividades como trabalhar com listas infindáveis de palavras com mesma dificuldade gramatical, trabalhar páginas inteiras de treinos ortográficos, separar sílabas de dezenas de palavras com dígrafos e fazer cópias quilométricas. Uma atividade muito longa e repetitiva cansa, desanima, desestimula e desinteressa. Palavras soltas, sem significado e sem adequação imediata perdem-se no espaço do papel, desaparecem sob a vista com a mesma rapidez com que foram escritas.
É comum ouvir de professores que certo aluno, depois de tanto treino e exercício, ainda escreveu errado determinada palavra. Treinou como? Para quê?
Todo e qualquer conteúdo sobre questões gramaticais deve ser extraído de um contexto, de um assunto de interesse comum para que se torne significativo, interessante e objetivo, e o aluno tem, no mínimo, os oito anos do Nível I para entender essas questões de maneira ampla.
Tratando-se de produção de texto, o mecanismo é mais ou menos o mesmo. Diante da proposta do professor é imprescindível que o aluno entenda os objetivos e queira participar da atividade. Ele se coloca perguntas do tipo: O que escrever? Como? Para quê? Para quem?
Vários assuntos que podem dar margem à produção aparecem, simplesmente, na rotina diária: um aluno que se machucou, um dente de leite que caiu, alguém que fez uma visita à classe, uma excursão ou um passeio que os alunos fizeram no fim de semana, um capítulo de novela que alguém assistiu, etc. Mas, apesar da variedade dos temas, às vezes estes não se aproximam da expectativa do professor e os alunos não atingem o objetivo específico que ele queria atingir.
Nessas ocasiões, as crianças precisam de um estímulo, envolvendoas de tal maneira que o registro, a produção escrita e/ ou a manifestação gráfica sobre determinado assunto da expectativa do professor sejam considerados importantes, cabendo ao professor direcionar a expressão oral.
Com jogos, músicas, adivinhações, brincadeiras de roda, trabalhos artísticos, história, parlendas, poesias, etc. o professor pode, e na maioria das vezes consegue, levar as crianças à escolha do tema.

Sugestões para produção

A produção de texto não deve ser trabalhada isoladamente; pelo contrário, devemse aproveitar o assunto, o tema ou a palavra que estão sendo trabalhados para intercalar a produção. Sob esse ponto de vista, a produção de texto é apenas mais uma atividade a ser executada pelos alunos.
A seguir, algumas idéias de atividades de produção de texto para ser desenvolvidas com os alunos. Como todas as outras sugestões, essas também não são rígidas: fica a critério do professor adaptá-las, de acordo com o nível em que se encontram os alunos. Sugerimos, também, que as produções sejam arquivadas em um caderno específico, de maneira que o progresso do aluno possa ser percebido e avaliado com maior segurança pelo professor.
• Escrever seu nome e desenhar você mesmo.
• Desenhar o pai ou a mãe e escrever “meu Pai” ou “minha Mãe”, de acordo com o desenho.
• Desenhar sua casa, sua família e escrever os nomes.
• Desenhar seus amigos e escrever seus nomes.
• Desenhar seus brinquedos e escrever seus nomes.
• Escrever a respeito do brinquedo ou da brincadeira de que mais gosta.
• Escrever sobre seu animal preferido e depois fazer o desenho.
• Fazer o desenho de um animal de que tem medo e escrever sobre ele.
• Desenhar sua classe e seus colegas e escrever sobre eles.
• Fazer um desenho com base numa história contada e copiar o título.
• Depois de ouvir uma história, fazer o desenho e escrever o que quiser sobre ela.
• Escrever o que quiser sobre uma data comemorativa.
• Montar personagens com material de sucata e, em grupo, produzir uma história oral. Desenhar os personagens utilizando sucata e transcrever a história.
• Fazer uma história tomando por base um Banco de Palavras. A classe decide sobre o que vai escrever e sugere as palavras que entrarão na história; o professor escreveas num papel manilha ou na lousa para que as crianças possam recorrer a elas durante a produção.
• Recortar letras de jornais e revistas; montar seu nome e escrever uma frase ou texto.
• Recortar letras e formar palavras. Em seguida, fazer um desenho e escrever uma frase ou um texto que se refira à palavra formada.
• Escrever sobre um fato da atualidade (ecológico, social, político, policial, etc.). O professor pode aproveitar uma notícia de jornal ou uma pergunta de um aluno para propor o tema.
• Depois de assistir a um filme em vídeo, escrever a história.
• Escrever sobre “o que gostaria de ser quando crescer” e desenhar.
• Escolher uma figura, recortar e colar em uma folha. Em seguida, escrever sobre ela.
• Fazer uma montagem e escrever sobre ela.
• Escrever sobre uma figura: o professor recorta uma parte de uma figura de objeto, animal, alimento ou brinquedo e cola em folha de linguagem. O aluno deve identificar a figura (distinção parte/todo) e escrever sobre a parte ou sobre o todo.
• Escrever sobre um assunto de Ciências e Saúde e montar um livrinho. O professor promove e coordena uma discussão sobre o tema. Em seguida, as crianças fazem um texto coletivo e o transcrevem para o livro, onde fazem as ilustrações. Ao terminar, cada criança terá o seu livro.
• Fazer um livro sobre o arco-íris: cada folha terá uma cor pintada ou um recorte colorido de tecido, papel, plástico, etc. O aluno escreve o nome da cor e o que ela significa para ele.
• Fazer o Jornal da Classe. Cada aluno faz um trabalho que pode ser produção, cruzadinha, adivinhações, receita, desenho para ser pintado, desenho para ligar os pontos, etc. Sob a orientação do professor, eles selecionam os trabalhos e montam o jornalzinho. Cada aluno transcreve seu trabalho para a folha de estêncil e assina. O professor também pode contribuir com alguma atividade. Com o tempo, o jornal poderá ser feito em nível de ano, período ou escola.
• Escrever um livro. O professor dobra as folhas de papel sulfite no meio, formando o livro e grampeia. Cada aluno escreve uma história e transcreve cada frase em uma página, faz os desenhos, elabora a capa, escreve o título e assina.
• Fazer um desenho com bolinhas de papel de seda e escrever sobre ele.
• Contar um sonho que teve e escrever sobre ele.
• Escrever sobre uma experiência vivenciada. Por exemplo, um passeio à feira, ao zoológico, etc.
• Escrever sobre um animal que foi trazido para a classe. Um aluno, ou alguém da escola, traz, escondido, um animal (ou foto dele) e não diz qual é. As crianças conversam com o dono para saber os hábitos, a alimentação, a utilidade, etc. do bicho e, pelas características, tentam descobrir qual é o animal. As informações são completadas pelo professor como conteúdo de Ciências e saúde e, em seguida, as crianças fazem um Banco de Palavras.

A produção de texto é o principal elemento de avaliação do professor. Quando o aluno consegue se comunicar dentro dos padrões da escrita, fica fácil para o professor fazer uma avaliação, mas quando só o aluno “sabe” o que escreveu ou o que “pensa” que escreveu, o professor precisa procurar entender o texto, pedindo que o aluno faça a leitura, apontando para a escrita.
De acordo com a relação que o aluno fizer entre a leitura e a escrita na hora do relato, o professor conseguirá avaliar, primeiro, a hipótese em que o aluno se encontra em relação à aprendizagem e, depois, a produção quanto à criatividade, à seqüência lógica dos fatos, à coerência, à conclusão da história e aos conceitos referentes à ortografia. É neste momento, também, que o professor sentirá se o aluno está bloqueado, ou não, para escrever.
A correção da produção não deve inibir a criação, mas deve, sim, ser feita de maneira gradativa para que o aluno tenha tempo de elaborar novas hipóteses para os eventuais “erros” e continue escrevendo. Por isso, a correção deve ser coerente com a etapa do processo em que o aluno se encontra e o professor deve procurar respeitar essa etapa, adequando sua correção.
Não faz sentido, por exemplo, fixar-se em erros ortográficos se os alunos ainda estão passando pela hipótese silábica.
Quando o aluno não consegue estabelecer uma seqüência lógica na escrita, quando não expressa suas idéias com coerência e clareza, é preciso que o professor trabalhe no sentido de desenvolver tais capacidades. A expressão das idéias é muito importante para o desenvolvimento integral da criança e deve anteceder à preocupação com a escrita correta das palavras.
No que se refere aos elementos a ser corrigidos, devemse levar em consideração duas questões distintas: a da macroestrutura e a da microestrutura. A primeira envolve a coerência no sentido do texto e a segunda trata da coesão na forma, na estrutura “física”. Portanto, o trabalho com a macro deve anteceder aquele com a microestrutura.
Os erros constantes demonstram a “lógica” com que a criança está lidando naquele momento e são indicadores do campo de ação do professor. Enquanto ela não superar ou adequar sua hipótese, não adianta insistir na correção repetitiva, que acabará criando dúvidas (uma vez que ela não compreende, ainda, a explicação), e conseqüentemente uma atitude retraída diante do texto.
Cada hipótese dos níveis de aprendizagem apresenta uma pequena série de errospadrão que são resolvidos quando a criança se coloca novas possibilidades. Por exemplo: muitas palavras sofrem, além da influência regional, “vícios” da fala que a criança procura transcrever com exatidão, como falá (falar), bolu (bolo), pexi (peixe), papéu (papel), etc., e tais “erros” só serão sanados quando a criança puder diferenciar a língua escrita da oral.
Outro exemplo: quando a criança, ao escrever, emenda palavras ou separa letras de uma mesma palavra, ela demonstra ter compreendido que a escrita é a representação da fala e, do mesmo modo que não separamos todas as palavras quando falamos, ela procura representar a segmentação tal qual ela acontece na fala, transferindo isso para a escrita. Com o tempo, a própria criança sente que precisa escrever de maneira que todos entendam (de acordo com a norma culta-padrão) e, neste momento, ela intensifica a compreensão de que a escrita tem um valor social muito importante: a comunicação.
A partir do momento em que o aluno se torna alfabético, é oportuno fazer um trabalho ortográfico e sintático. Sabemos muito bem que as regras de ortografia são muitas e não é fácil para a criança assimilá-las: até mesmo nós, adultos ortográficos, sentimos a necessidade de recorrer ao dicionários em várias ocasiões. Sabemos também que as palavras com as quais a criança tem maior aproximação, ou mais familiaridade, são assimiladas com mais facilidade.

Sugestões para efetuar a correção

Para trabalhar a macroestrutura, o professor pode desenvolver atividades que envolvam sequência e ordenação de objetos, fatos e números. Esse trabalho envolve a organização do dia-a-dia, das atividades e também a organização do raciocínio lógico.
No momento da correção sistematizada, o professor pode trabalhar tanto com o aluno individualmente, quanto com a classe, isto é, pode trabalhar cada produção com seu “escritor” ou trabalhar, com a classe toda, uma produção escolhida pelas crianças.
Corrigir um texto sozinho é tarefa muito difícil para o aluno, e até ele chegar a melhorar conscientemente um texto, deve ser feito um trabalho oral. Para chegar à autocorreção, o professor precisa trabalhar primeiro com a classe, depois com grupos menores e, finalmente, com cada aluno individualmente, para que, relendo seu texto, a criança possa fazer uma autocrítica consciente de seu trabalho, ter conhecimento da expectativa do professor e conseguir a autocorreção.
Para corrigir erros ortográficos numa produção o professor pode optar por circular palavras erradas e listá-las corretamente no final; fazer uma marca na margem da linha em que houver erro para que o aluno o descubra; listar na lousa as palavras que aparecem erradas muitas vezes e pedir que os alunos as registrem em ordem alfabética; incentivar e facilitar o uso do dicionário; e, sempre, requerer que o aluno leia o texto e faça a correção. Além disso, pode reunir os alunos em pequenos grupos e levá-los a descobrir qual seria a maneira certa de escrever as palavras erradas, anteriormente sublinhadas. A sistematização das regras deve ser desenvolvida com base no texto produzido, e não o contrário, isto é, pedir produção de texto baseada em regras pré-concebidas.
Outra técnica de correção que pode ser usada com alunos alfabéticos é a reescrita. O professor pode trabalhar a correção de um texto na lousa, em cartolina, em papel manilha, ou mesmo numa folha de linguagem, se a correção for individual; se for coletiva, o texto deve ser fixado na metade da lousa.
O “escritor” do texto interage com seus colegas e com o professor, trocando experiências e ponderando hipóteses até chegar a conclusões mais “corretas”, sem que, com isso, precise mudar a ideia original. As dificuldades variam de criança para criança e é com base nessas diferenças que a interação acontece: a dúvida de um aluno pode ser a certeza de outro. Normalmente, a classe estabelece com este aluno, o autor, uma relação positiva e enriquecedora: a socialização do saber.
O professor deve ser o desafiante e o mediador quando as discussões se perdem ou quando o assunto foge do conceito das crianças, equilibrando a participação e orientando as correções já discutidas. Aos poucos, na outra metade da lousa, o texto vai sendo reescrito pelo professor ou por um aluno.
O objetivo da reescrita é fazer o aluno perceber que conseguiu se comunicar; que, se necessário, seu texto pode ser escrito de outra maneira a fim de que outras pessoas o entendam melhor; e que pode ter um modelo corrigido de sua criação, sem a necessidade de ver seu original rabiscado. A constância desse trabalho ajuda a despertar autocrítica da criança na hora de escrever.
Enfim, é muito importante que a criança não se iniba ao escrever, transcreva suas ideias, ponha em conflito suas hipóteses, sintase respeitada na maneira como se comunica e seja corrigida quando necessário. Ela precisa chegar a escrever ortograficamente de maneira satisfatória, mas não será nos primeiros anos de escolaridade que ela atingirá este nível. Precisamos dar-lhe tempo e proporcionar condições para que o aperfeiçoamento ocorra.
A ortografia é uma parte da gramática que apresenta aspectos regrados (M antes de P e B, por exemplo) e não-regrados (palavras escritas com S, Z, CH, X). Os regrados podem ser reconstruídos pelo aluno, porque fazem parte de um conhecimento lógicomatemático; já os não-regrados se referem a um conhecimento social-arbitrário formando a imagem mental da palavra, ou seja, constituindo o repertório das palavras mais utilizadas e tendo consciência de como são escritas, independentemente da maneira como são faladas. Compreendendo a questão da
imagem mental, é possível entender por que a maioria das crianças passa anos fazendo cópias e ditados e ainda assim escreve “errado”.
Autocorreção é um procedimento de transformação da “imagem mental” que as crianças têm das palavras no que se refere à ortografia. Consiste na comparação da palavra escrita incorretamente pelo aluno com a forma ortograficamente correta, na observação dos contrastes e na correção do que estiver diferente.
Uma forma de preparar a autocorreção é sublinhar e/ ou numerar as palavras que necessitam de correção e escrevê-las no final da página. Em seguida, devolver o texto à criança para que ela faça a comparação, o contraste e a correção. Em turmas mais adiantadas, podemse assinalar as palavras e pedir que o aluno procure no dicionário.
Junto com os alunos, o professor estabelece um código para ser usado durante a leitura avaliatória. Assim, em vez de “corrigir” o texto, o professor apenas indica, com esse código, os locais em que o aluno fará a autocorreção. Vejamos alguns exemplos de códigos que podem ser adotados:

É interessante que, numa escola, todos os professores adotem o mesmo código em todas as séries, a fim de facilitar o trabalho nos anos posteriores.