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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Método ou Metodologia? Percursos possíveis

Emília
Fonte:  revistaescola.abril.com






Segundo Artur Morais, as escolas públicas têm fracassado na tentativa de alfabetizar os seus alunos, porque se prenderam a métodos de ensino que, conduzidos de maneira insuficiente ou mal interpretada não surte o efeito desejado;
As caracterizações de métodos “construtivistas” ou “fônicos” de alfabetização, o primeiro, centrado na psicogênese da língua escrita, e o segundo, na conscientização fonológica, como o mais adequado se prende a rigidez de um sistema que oscila de uma Unidade escolar a outra.
Discutem-se métodos e não metodologias.
O prender-se a uma rigidez de métodos de ensino , quando educadores de intitulam “construtivistas”, ou “fonológicos”, em nada favorece alfabetizar com propriedade e com clareza.
Já é lugar comum considerarmos que a maioria dos alfabéticos que a Escola produz são aqueles chamados Analfabetos funcionais.
Termo esse oriundo de outro, alfabetismo funcional, construído na década de 30, nos Estados Unidos.
Sabem escrever, com dificuldade, o seu nome, ler, de forma entrecortada  textos curtos de sílabas simples, mas titubeiam quando colocados em frente a textos mais complexos e se são solicitados a inferir informações do texto, fracassam.
Em relação a Operações matemáticas tais sujeitos não conseguem solucionar as operações mais complexas;
Em relação à alfabetização, como pontua Morais, devemos considerá-la como um sistema de aquisição permanente, e não como um sistema de apropriação da lecto-escrita  fechada e limitada a apenas um método de ensino;
Devemos refletir sobre as  fragilidades do método fônico: a limitação do sujeito em não ser colocado em frente a textos contextualizados, onde é instigado a apropriar-se do objeto (leitura/escrita) e a desenvolver as habilidades pertinentes ao letramento;
Seria interessante observar que o elemento facilitador do método fônico está em  em dotar o aprendiz para a identificação e o reconhecimento de letras e sílabas, em uma seqüência lógica e acessível para que assimile e reconstrua o código da linguagem;
Morais pontua que o principal problema do método construtivista  é o de cuidar em excesso da compreensão metafonológica das palavras e descuidar da diversidade e da particularidade de textos; Percebo também,na prática de sala de aula,  a desimportância que tal método acrescenta as atividades de letramento;
Por outro lado, o ensino com tendência construtivista, negligencia as habilidades metafonólogicas dos educandos, colocando em segundo plano essa reconstrução;
Não garantem um ensino sistemático das correspondências letra-som (p.11);
Entretanto, como afirma Morais, alguns professores alfabetizadores declararam que os seus alunos aprenderam a ler e a escrever apenas em contato com textos.
Posso relatar minha experiência como  professora alfabetizadora, numa classe de Pré III, 1º ano do Ensino Fundamental, em 2006, em contato com o livro didático escrito por Marco Hailer e afirmo que na minha avaliação pessoal e  segundo a sondagem diagnóstica realizada, a maioria foi alfabetizada.
Na época, a minha convicção de recém formada e o aporte das teorias aprendidas com Onaide , Sônia Coelho, Renata Junqueira, professoras doutoras da UNESP de Presidente Prudente, fundamentadas nas teorias e metodologias construtivistas, não encontrei motivos para trabalhar o método fônico, mas me foi sugerida, pela Diretora da Unidade escolar a leitura de CAPOVILLA et all, onde os autores enfatizam o "desserviço" que a implantação das teorias de Ferrero (implantadas de forma equivocada na Rede pública de ensino.) trouxe.Na época, alguns pais transferiram seus filhos e filhas por não considerar válido e suficiente a alfabetização por textos, tendo estranhamento inclusive com  a palavra letramento e essa educação inovadora que me trouxe o aporte teórico do Curso de Pedagogia foi objeto de  resistência;
Alguns alunos encontraram dificuldades na classe posterior, pois se depararam com um trabalho mais tradicionalista.
Hoje, após sete anos de jornada, não subestimo o valor do método fônico e procuro utilizar metodologias que se adequem aos meus aprendizes.
Não me esqueço que eu também sou aprendiz .

Segundo Morais...
“Não existe nenhuma oposição em alfabetizar e letrar ao mesmo tempo. Para não
promover exclusão, o ideal é aliar um ensino sistemático da notação alfabética com
a vivência cotidiana de práticas letradas, que permitam ao estudante se apropriar das
características e finalidades dos gêneros escritos que circulam socialmente. “

Fonte:
CONCEPÇÕES E METODOLOGIAS DE ALFABETIZAÇÃO : 
POR QUE É PRECISO IR ALÉM DA DISCUSSÃO SOBRE VELHOS
“MÉTODOS”?

 
Artur Gomes de Morais
UFPE – Centro de Educação e CEEL - Centro de Estudos em Educação e Linguagem;





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