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sábado, 20 de julho de 2013

O CASO TRAYVON MARTIN


Obama diz entender frustração de negros, como afirma o Jornal Folha de São Paulo, na seção Mundo de 20 de Julho de 2013. O Presidente afirma que Trayvon, o garoto assassinado por um vigia enquanto estava indo para a casa da namorada do pai, podia ser ele mesmo há anos atrás. Reforça o fato do preconceito como existente quando faz afirmações sobre o caso: “Poucos afro-americanos nesse país não tiveram a experiência de ser seguidos enquanto faziam compras em lojas de departamentos. Ou andar pela rua ouvir porta dos carros sendo travadas. Acontecia comigo antes de virar senador.” Frustra saber e fazer eco a afirmativa do jornal quando pontua que esse é um caso de que “é assim que as coisas funcionam”. Obama não quer se posicionar e nem comentar a respeito de racismo de forma direta, pois ele é uma figura polarizadora, já que governa para não brancos e brancos, segundo alguns analistas políticos americanos. A premissa do juiz, que segundo o jornal, bloqueou qualquer discussão a respeito de raça foi a de que... Travis Martin parecia um grande delinquente negro. Parecia ser um predador preparado para um rompante ou uma farra no crime. Do que se podem chamar essas afirmações? Racistas, suponho. Um dos “erros” do adolescente foi o de cobrir a cabeça com capuz, enquanto caminhava com uma lata de refrigerante nas mãos. Ajuda nesse combate geopolítico e de relações de poder, desfavorável ao afro-americano, o fato da Suprema Corte dos Estados Unidos diluir manifestação de preconceito quando decreta a proibição de não comentar mais sobre termos como “raça” , que é tido como racista, ainda que seja uma situação para remediar a desigualdade, conforme declara a analista Patricia Willians, do Guardian. Dessa forma, é quase impossível provar discriminação. Em análise é uma alternativa inteligente dos brancos de silenciar a opressão e a discriminação sofridas pelos não brancos. A desigualdade está presente na forma da lei. Então, desse modo, o “Eu posso”ou “Nós podemos”, do Presidente Obama passa pelo crivo das afirmações sutis e conformistas dos descendentes africanos em qualquer parte do mundo: “Eu posso conviver com a diversidade racial e étnica desde que saiba jogar o jogo dos brancos: em última hipótese, combater os da minha raça, fazer como os irmãos raciais de escravos que eram vendidos pelos seus semelhantes, separando famílias e permitindo que se faça uma série de atrocidades com os tais”. “Nós podemos conviver com os brancos se admitirmos seus valores e fingirmos que somos como eles, negando a nossa cultura, a nossa forma de ser e de estar”. Depois de ter a honra e a dignidade de pessoa comprada pelas moedas de ouro ou de euro do capitalismo selvagem e suas funestas derivações, assim ele se posiciona: “Há um contexto histórico e são assim que as coisas funcionam, mas eu compreendo a frustração dos afro-americanos”.

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